As hepatites virais são doenças infecciosas que provocam inflamação no fígado e podem comprometer o funcionamento desse importante órgão. Em muitos casos, a infecção evolui de forma silenciosa, sem apresentar sintomas por meses ou até anos, aumentando o risco de complicações como cirrose e câncer hepático.
De acordo com o mais recente Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2024, foram confirmados mais de 826 mil casos de hepatites virais no Brasil. Desse total, 41,5% corresponderam à hepatite C e 36,6% à hepatite B, demonstrando a importância do diagnóstico precoce e da prevenção.
Embora sejam agrupadas sob o mesmo nome, as hepatites A, B, C, D e E possuem formas de transmissão, evolução e prevenção diferentes.
O que são as hepatites virais?
As hepatites virais são infecções causadas por diferentes vírus que têm em comum a capacidade de atingir o fígado. Dependendo do tipo viral, a doença pode apresentar um quadro agudo, com recuperação completa, ou evoluir para formas crônicas, capazes de causar danos permanentes ao órgão.
Um dos principais desafios dessas doenças é que muitas pessoas convivem com a infecção sem saber, especialmente nos casos das hepatites B e C.
Quais são os sintomas?
Nem todas as pessoas infectadas apresentam sintomas. Quando eles surgem, podem incluir:
- Cansaço excessivo;
- Febre;
- Náuseas e vômitos;
- Falta de apetite;
- Dor abdominal;
- Pele e olhos amarelados (icterícia);
- Urina escura;
- Fezes claras;
- Coceira pelo corpo.
Nas hepatites B e C, é comum que a infecção permaneça silenciosa por anos, sendo descoberta apenas por exames laboratoriais de rotina.
Hepatite A
Como ocorre a transmissão?
A hepatite A é transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes contendo o vírus, estando fortemente associada a condições inadequadas de saneamento e higiene.
A doença pode se tornar crônica?
Não. A hepatite A geralmente apresenta evolução aguda e não evolui para infecção crônica.
- Como prevenir:
- Vacinação;
- Higienização adequada das mãos;
- Consumo de água tratada;
- Cuidados com a manipulação dos alimentos;
- Melhorias nas condições de saneamento básico.
Exames utilizados:
- Anti-HAV IgM;
- Anti-HAV Total.
Hepatite B
Como ocorre a transmissão?
A transmissão acontece pelo contato com sangue contaminado e fluidos corporais, incluindo:
- Relações sexuais desprotegidas;
- Compartilhamento de objetos perfurocortantes;
- Transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou parto;
- Exposição ocupacional a sangue contaminado.
Por que merece atenção?
A hepatite B pode se tornar crônica e aumentar o risco de cirrose e câncer de fígado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, ela é responsável pela maior parte das mortes relacionadas às hepatites virais no mundo.
Como prevenir?
- Vacinação;
- Uso de preservativos;
- Não compartilhamento de agulhas, seringas ou objetos cortantes;
- Triagem adequada de sangue e hemoderivados.
Exames utilizados:
- HBsAg;
- Anti-HBs;
- Anti-HBc total;
- Anti-HBc IgM;
- HBeAg;
- Carga viral para HBV (quando indicada).
Hepatite C
Como ocorre a transmissão?
A principal forma de transmissão é o contato com sangue contaminado. Atualmente, os casos estão mais relacionados a:
- Compartilhamento de seringas;
- Materiais não esterilizados;
- Procedimentos invasivos sem controle adequado;
- Exposição ocupacional.
Por que ela é considerada uma preocupação de saúde pública?
A hepatite C é a mais frequente entre os casos crônicos registrados no Brasil e pode permanecer assintomática por décadas. Quando não diagnosticada e tratada, pode evoluir para cirrose e câncer hepático.
Como prevenir?
Atualmente não existe vacina contra a hepatite C. A prevenção depende principalmente da redução da exposição ao sangue contaminado.
Exames utilizados:
- Anti-HCV;
- HCV-RNA (PCR para hepatite C);
- Exames de função hepática.
Hepatite D
Como ocorre a transmissão?
A hepatite D é causada pelo vírus Delta e possui uma característica importante: ela só infecta pessoas que já possuem hepatite B.
A transmissão ocorre pelas mesmas vias da hepatite B:
- Sangue contaminado;
- Relações sexuais desprotegidas;
- Transmissão vertical.
Onde ela é mais comum?
Segundo o Ministério da Saúde, a maior parte dos casos brasileiros concentra-se na região Norte, especialmente na Amazônia.
Como prevenir:
A melhor forma de prevenção é a vacinação contra a hepatite B, uma vez que, sem a infecção pelo vírus B, a hepatite D não consegue se estabelecer.
Exames utilizados:
- Anti-HDV;
- HDV-RNA;
- Marcadores para hepatite B.
Hepatite E
Como ocorre a transmissão?
Assim como a hepatite A, a hepatite E está relacionada principalmente ao consumo de água e alimentos contaminados.
No Brasil, os casos são considerados raros quando comparados aos demais tipos virais.
Como prevenir:
- Consumo de água potável;
- Higiene alimentar;
- Saneamento adequado.
Exames utilizados:
- Anti-HEV IgM;
- Anti-HEV IgG;
- Pesquisa molecular, quando indicada.
A importância dos exames laboratoriais
Além dos testes específicos para cada tipo de hepatite, exames laboratoriais podem auxiliar na avaliação do funcionamento do fígado e no acompanhamento da doença.
Entre eles estão:
- TGO (AST);
- TGP (ALT);
- Gama GT;
- Fosfatase alcalina;
- Bilirrubinas;
- Albumina;
- Tempo de protrombina.
Esses exames ajudam a identificar sinais de inflamação hepática e a monitorar possíveis complicações.
Diagnóstico precoce faz a diferença
As hepatites virais continuam sendo um importante desafio de saúde pública, mas muitas de suas complicações podem ser evitadas por meio da prevenção, vacinação (quando disponível) e diagnóstico precoce.
Como várias dessas infecções podem permanecer silenciosas por longos períodos, os exames laboratoriais desempenham um papel fundamental na identificação da doença antes do surgimento de danos mais graves ao fígado.
Por isso, manter os exames em dia e seguir as orientações médicas são atitudes essenciais para proteger a saúde hepática e garantir mais qualidade de vida.
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